Estávamos nos inícios da década de 60, por muitos considerada a “de oiro” do século passado. Foi a época da revolução nos costumes e nas mentalidades. Por todo o mundo pairava o desejo de sair do marasmo e da rotina, de lançar as bases para a criação de uma via melhor, mais fraterna e social.Embora isolados em pleno Atlântico, os Açores não fugiram à saga reorganizadora de que iam travando conhecimento, sobretudo através da Rádio, meio de comunicação por excelência de então. Cada grupo, em cada actividade, procurava dar o mote na medida do permitido e das disponibilidades. Sentia-se a necessidade de descobrir, de conhecer, e de dar a conhecer, aspectos da vida até então ignorados ou caídos no esquecimento. A Ciência expandia-se.
Foi assim que um grupo de jovens, possuídos de forte espírito aventureiro e de atracção pelo desconhecido, se dispôs a abandonar os cómodos pisos da cidade de Angra, dedicando-se, aos fins-de-semana, a percorrer as zonas mais selvagens do interior da ilha Terceira, “à descoberta” daquilo que até então por eles era ignorado. Durante essas caminhadas, pela aventura e pelo convívio, e também para caçar alguns coelhos, eram levados ao encontro de cavidades naturais escondidas nas escoadas de lavas que ajudaram a formar esta ilha. Estavam perante um património natural “novo” do qual haviam muitas histórias fantasiosas, que entenderam por bem desvendar, penetrando fundo no subsolo desta ilha, abalançando-se às tais arriscadas descidas aos algares tão profusamente espalhados e perscrutando muitas centenas de metros de grutas.

http://www.montanheiros.com/inicio.php